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Navegar num mar de letras

Um blogue que permitirá, aos seus autores, navegar pelas letras contando algumas histórias. E dedicado a quem ainda tem paciência para ler pessoas que gostam de andar por aí sem bússola.

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Na alvura da tua pele me perco

por golimix, em 09.04.15

escravos.jpg

Estamos numa época onde a escravatura ainda é usada como mão de obra nas fazendas produtoras de café. Ainda virá um tempo feliz em que isso não acontecerá, e a jornada na roça será paga. Mal paga, é certo, mas ainda assim sem o chicote nas costas e as noites mal dormidas no chão de uma senzala onde sobejam os negros e carece o espaço. E é aqui, nesta fazenda do sudeste Brasileiro, onde nascerão duas crianças alheias ao ódio, ao racismo, e sobretudo a esta era de homens de mentes tacanhas.

 

Maria das Dores a escrava, tratada por Dodô, a preferida da Sinhá Amália tomou-se de amores por um dos guardas de escravos. Um dos moles, que se deixam levar pelos encantos de uma bela negra, dessa paixão ilícita resultou uma gravidez. O homem quase fora expulso da fazenda pelo seu terrível patrão, que era tratado por Patrão Paes de Andrade! Mas veio em seu auxílio, e da Dodô, a sua jovem patroa que, apesar de tudo, criara uma certa habilidade para persuadir o marido a seguir as suas ideias fazendo-o crer que eram dele. Até porque ela mesma também estava de esperanças e nunca se deve deixar uma mulher nesse estado sem se tentar cumprir os desejos pretendidos. E lá casaram a Dodô e o seu pobre Justino Silva, que nem sabia bem o que lhe acontecera. E passou de guarda de escravos a ajudante da casa grande. Um posto mais adequado a quem tem por esposa uma negra.

 

Sinhá Amália mantinha um casamento sem amor, como tantas vezes acontecia naquele tempo, com um homem viúvo, rude e quase trinta anos mais velho que ela! Mas tivera que obedecer ao pai, que devia uns favores ao seu vizinho de terras, o Manuel de Oliveira Paes de Andrade. Ela fora educada para viver para a casa e para o marido. Era sua obrigação ser uma  boa esposa. No início fora-lhe difícil a vida ali. Longe de quem conhecia, já que para se chegar à fazenda vizinha era necessário percorrer-se quilómetros. Valeu-lhe a abençoada companhia de Maria das Dores, a Dodô. Rapariga inteligente e excelente cozinheira, além de devotada à sua amiga Sinhá. As duas engravidaram mais ou menos ao mesmo tempo, Dodô levava um avanço de dois meses. E isso tornava a vida de Amália um pouco mais alegre. Ela era uma mulher doce, amável, solidária e amiga. Enfim, a antítese do seu marido. Mas deu Deus essa sorte aquele lugar. Uma beleza suave, uma lua para amenizar a agrura dos seus dias do intenso calor solar.

 

E foi naquela noite que tudo se precipitou....

 

Continua...

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