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Navegar num mar de letras

Um blogue que permitirá, aos seus autores, navegar pelas letras contando algumas histórias. E dedicado a quem ainda tem paciência para ler pessoas que gostam de andar por aí sem bússola.

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Destino oculto.

por Corvo, em 03.05.15

Numa tarde de Fevereiro do ano de 1960, um grupo de jovens composto por duas raparigas e três rapazes, elas a rondarem os 17 18 anos e eles com idades muito semelhantes, talvez um ou dois anos mais velhos; sob um sol inclemente divertiam-se alegremente nas areias escaldantes da ilha de Luanda, mergulhando e nadando quando a biologia se enfurecia contra aquelas cabeças irresponsáveis.
Afastando-se um pouco daquele grupo buliçoso que se divertia perseguindo-se uns aos outros e rebolando sob a areia, um dos rapazes, esquecendo ou não se preocupando com a toalha, foi sentar-se sobre a areia, flectiu os joelhos e com as mão cruzadas nesses, errou a vista para lá onde o céu beijava o mar perdendo-se em profundas meditações, certamente não muito satisfatórias para si a julgar-se pelo ar profundamente preocupado que toda a sua atitude explicitava.
Que de tão importante via nele e porquê tanta atenção dispensada a um parolinho vindo lá de Portugal. Como se fosse alguma coisa do outro mundo um rapaz vir passar as férias a casa dos pais. E isso já era motivo para se mostrar tão atenciosa como se não existisse mais ninguém? Só ele, só ele. “Olha Henrique! O André conhece o António Calvário! Uma vez encontraram-se a saída de um restaurante e cumprimentaram-se. Não é formidável?” “ Conta tu, André! Conta ao meu irmão como foi, como é que vocês se conheceram!”
“Conta tu, conta tu como se conheceram…pfffft! Como se fosse alguma coisa transcendental que fosse mudar o mundo. Ainda se ao menos conhecesse a Madalena, agora o Calvário!” Ridículo! Toda a gente via isso só ela é que estava cega. E para mais um rapaz loiro. Loiro! Cristo Santíssimo! Mas alguém era loiro neste mundo? E desde quando uma rapariga se ia sujeitar ao gozo dos amigos por gostar de um rapaz loiro? O único loirinho aparecido neste mundo para deleite daquela parvinha que parecia idolatrá-lo!
“Mas, gostar?! Oh minha mãe do Céu! Que disse eu?! Gostar?!”
Não! Não era isso que queria dizer, dissera por dizer, uma maneira de falar, uma expressão. Estava confuso e nem raciocinara bem. Não era gostar, não podia ser gostar, claro que não era gostar, que estupidez a dele. Era, era…uma atracção pela novidade! Pois, era isso! Uma ligeira admiração por um idiotazinho loiro vindo de Portugal, mas nada mais! “
“Conta, André! Conta ao meu irmão como o José Águas te deu um autógrafo. Ele vai gostar de saber, é maluquinho pelo Benfica! Não vais, Henrique?”
“ Meu irmão, meu irmão. Conta, fala, diz ao meu irmão”
“Não sou teu irmão! Sabes isso. Para todos é sempre o Henrique, o meu amiguinho Henrique, o meu Henrique que me atura as birras e protege desde os quatro anos quando as nossas famílias foram morar juntas. É o meu querido irmãozinho mais velho. Não és, Henrique? Meu querido maninho?”
“Não sou teu irmão! Porquê para ele?”
“ Não sou teu irmão e tu não és minha irmã. És a rapariga que me roubou a vida tranquila que sempre desfrutei para a lançares nas profundezas do desespero, e agora ma precipitares no Inferno dos ciúmes”
“ Não sou teu irmão. Amo-te!”

continua.

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